segunda-feira, 11 de junho de 2012

Eu não falo com estranhos

Nós, as pessoas, temos medo de nós, as pessoas.
Como chegamos a este ponto?

Hoje, às 6h30 da manhã, em um ônibus vazio, a caminho do trabalho, senti medo. O transporte ainda contava com diversas duplas de bancos vazias quando um homem achou por bem sentar justamente ao meu lado. Por quê? Não entendi. Só sei que, assim que observei seu movimento em minha direção, tremi. Olhei para trás para ter certeza de que havia muitas outras opções de semiprivacidade - e havia. Então, diante do fato consumado de sua aproximação indesejada, encostei na janela, agarrei firme a bolsa e segurei o guarda-chuva de forma a poder usa-lo como arma em caso de necessidade. Nesta posição, com o coração disparado, me mantive imóvel até que o sujeito desceu, um par de bairros depois.

Desceu do ônibus e mudou para mim. Ao longe, observando suas roupas e o rumo que tomou, aquele aspirante a ladrão tornou-se um trabalhador. Um destes homens honestos, que acorda cedo, que pega dois ônibus para chegar ao trabalho, que rala muito para ter muito pouco em troca... e que talvez tenha achado que aquele podia ser seu dia de sorte, seu ônibus da sorte, sua chance de dar um sorriso e receber outro em troca ou, quem sabe?!, pedir um telefone e ouvir uma resposta positiva.

Senti medo dele. Sinto pena de nós.

4 comentários:

Bruna disse...

Oi, Pat! tudo bem?
Adorei sua visita lá no blog (abrajanela).
Escrever faz bem pra aliviar o próprio coração, mas bom mesmo é quando também faz bem para outra pessoa. hehe
Estou lendo o seu!
Beijinhos.
www.abrajanela.com.br

David disse...

A primeira coisa que pensei ao ler o teu texto foi precisamente no título do teu blog. Só depois notei o tão justo título do texto :)

É difícil viver sem medo, não é? E esse medo causado pelo preconceito é um dos mais insidiosos. E é democrático, apanha todo o mundo sem distinção de raça, cor ou credo...

Pat disse...

Pois é, né David? Passando uma temporada na cidade grande tive de cair nesta real: eu só ando no conhecido e eu não falo com estranhos. Isto me constrange (nos dois sentidos).

Pat disse...

Oi Bruna,
Obrigada pela visita.
Talvez abrindo a janela a gente perca o medo de falar com estranhos...
Sucesso!