quarta-feira, 4 de julho de 2012

Acredito que, para quem está realmente presente, um relacionamento não traz grandes surpresas - exceto as catástrofes acima de qualquer imaginação ou coisa que o valha. A gente pode até não gostar do desenrolar dos fatos, mas ser surpreendido por eles é muito difícil.
Não acredito em "mas estava tudo bem, como isto foi acontecer?" ou "cheguei a pensar que era o fim e, de uma hora para a outra, ele mudou". Desculpe, mas não acredito.

Você não suspira a cada lembrança e passa o dia trocando mensagens doces e apimentadas para acordar amanhã pensando em partir. E também não fica três meses dormindo na mesma cama sem fazer sexo, dormindo de bundinha ou até evitando deitar no mesmo horário, se anda tudo as mil maravilhas. Se você está presente dentro da sua relação, você, melhor que ninguém, sabe em que estado ela se encontra.

Não, as relações não são todas iguais. Tem gente que é movido a paixão, como eu. E tem gente que se sente mais confortável com a rotina, confia no tempo. Tem gente que dá tudo por um instante mágico em que os feijões são lançados ao solo e um mundo encantado surge acima das nuvens. E tem gente que dá tudo pelo prazer de olhar para traz e ver o quanto aquela semente cresceu, o quanto são fortes as raízes e frondozos os galhos. Toda essa gente ama, cada uma a seu modo.

Vivemos os tempos de hoje, com suas vantagens e desvantagens, quer gostemos ou não. E acho mesmo uma pena que as pessoas e os sentimentos tenham se tornado tão consumíveis e descartáveis quanto os objetos. Mas confesso um alívio em me saber livre (espero que também consciente) para não permanecer onde não há amor, entrega, presença, vida. "Onde não houver amor, não se demore", disse alguém com quem concordo.

* * *

Fui apaixonada por este blog durante mais de três anos. É porque preciso das palavras para me entender, e este aqui foi o melhor dos consultórios de terapia (além de causador de alguns traumas, o que faz parte). Mas as trinta pessoas que me visitam diariamente, os trinta estranhos com quem mantenho esta relação, se estão presentes, devem bem estar sentindo que a coisa esfriou. Eu já não volto mais pra casa. Eu já mal escrevo, só transcrevo. É, eu já não quero mais.

Pode parecer desnecessário. Sim, eu poderia continuar levando com a barriga, deixar tudo em aberto, aparecer uma vez por semana com um carinho morno... Mas é que eu não sei levar uma relação assim, entende? E nem quero aprender.

(O fim de uma relação é sempre difícil, né? Claro que é pior ser quem fica para traz, mas não é fácil decidir partir. Ok, isto é um parênteses e um outro texto.)

Isto aqui é um blog sem tema, porque era reflexo de um eu sem tema. Este eu não morreu e deve continuar em fb, tw, insta ou outro que venha a nascer de uma necessidade futura. Mas, neste momento, eu não estou no random, eu não estou aleatória. Neste momento eu sou autoconhecimento e amor, coisas muito particulares e íntimas, e somente a isto quero me dedicar.

Então, daqui a uma semana, quando este endereço for digitado no mundo www aparecerá uma mensagem mais ou menos assim "este blog é só para convidados". Isto significa que ele acabou, mas vou querer manter minha lista de blogs e links aqui do lado. E é por causa desta lista que vou ainda manter em aberto durante esta semana, caso algum de vocês trinta também tenham se interessado por algum dos meus tantos encontros.

Obrigada pela atenção, Patrícia.

5 comentários:

Anônimo disse...

Que pena...sentirei falta dos seus posts :/ Anyway, busque a felicidade sempre! Abraço, Vanessa

David disse...

Patucha,
Ao ler o teu texto eu só conseguia pensar numa canção do Jacques Brel: On oublie rien (http://www.youtube.com/watch?v=QkQvo_EQOJs). Espero que entendas a letra e gostes. Um beijo.
PS: para onde devemos enviar o formulário RFI241 de requisição do tal convite?

lzn disse...

Ah, também vou sentir sua falta ! De todas as maneiras, sucesso...

aline f disse...

Ah... Já reclamei ao vivo e reclamo por escrito. De todas as você, esta era a que eu mais visitava.

<3

Pat disse...

Obrigada pelo carinho, estranhos!
Bjs.